Yamandu Costa
Revista B | Arquivo – Por Kairo Ochoa
Estou quase maduro, acalmei o facho!
Yamandu Costa é um vulcão. Dentro dele há rios de criatividade em constante ebulição e como todo vulcão, sempre precisa lançar o que está dentro. Desde os 4 anos de idade com sua família na estrada, já lançou mais de 20 discos além dos 6 que estão no forno esperando o momento certo de vir à superfície.
Mas hoje, temos Mafuá!
O sonho de todo violonista é gravar num estúdio pensado e projetado para violão. O nome desse estúdio já diz tudo, Wonderland. E lá estava Peter Finger, violonista, produtor, engenheiro de som e proprietário do estúdio que convidou Yamandu para participar do Open Strings Festival e em seguida gravar um disco. Produzido pelo próprio Peter Finger com colaboração da também violonista e esposa do Yamandu, Elodie Boundy.
Esse negócio de tocar sozinho não é brincadeira. É muito solitária a viagem, o show, mas é a maneira de você se entregar mais, estar mais junto com seu público, com quem gosta de seu trabalho
Assim nasceu o primeiro CD solo do Yamandu gravado no frio intenso da cidade alemã de Osnabrück.
Lançado na Alemanha em 2008, chegou este ano ao Brasil pela Biscoito Fino, não por atraso, mas porque já havia outros trabalhos em circulação. Uma questão de estratégia.
Mafuá revela a faceta autoral de Yamandu. Sofisticado e intenso, passa pelo Choro, pelo Samba, pelo Clássico, pelo Tango, ou seja, passa por onde a atenção de seus ouvidos passa. Nascido da “minha vontade de tocar sozinho de novo. Esse negócio de tocar sozinho não é brincadeira. É muito solitária a viagem, o show, mas é a maneira de você se entregar mais, estar mais junto com seu público, com quem gosta de seu trabalho. Muito verdadeiro e honesto” explica Yamandu.
Embora as músicas sejam arrasadoras, difíceis e virtuosas, o que em nada lembra calmaria. “Esse CD representa uma quase maturidade…bem nessa época estava acalmando o facho, mas a gente continua sempre doido” acrescenta Yamandu.
O resultado final carrega um pouco do Peter, cujo estilo de tocar, o Fingerstyle e o uso de efeitos e reverb, não muito comuns na música clássica deram um ar mais pop.
São 13 faixas das quais, 10 são de própria autoria. Compostas em anos diferentes e por motivos diferentes. Samba pro Rafa, em homenagem ao Raphael Rabello e que abriu o show no Teatro Pedro II; Elodie, uma música super moder-na para a época e composta na frança para sua mulher; Bostemporânea, que além do trocadilho imediato é “uma crítica engraçada sobre os contemporâneos que eu sempre gosto de fazer”; Bachbaridade, também de título engraçado mas que “a ideia era fazer algo que tivesse algo a ver com o clássico, mas no meio virou um tango…não teve jeito”; Zamba Tuerta que “é uma homenagem à música argentina, mas com harmonias um pouco mais brasileiras”; Caminho de Luz, “uma música que fiz para meu pai quando ele morreu” comenta Yamandu.
A maturidade está por todo lado. Yamandu Costa, cada vez mais generoso nos recebeu no camarim do Teatro Pedro II para uma entrevista exclusiva para o Cultura B que foi rápida e rica em detalhes, mesmo depois de uma passagem de som um tanto quanto suada. O que não impediu de conhecer um pouco mais a sua contribuição para a música brasileira e mundial. Nossos agradecimentos aos produtores locais.
Agora cabe a você, caro leitor, conhecer Mafuá!

Pubicado em Novembro/Dezembro 2011
Revista B Edição 30
Texto Kairo Ochoa
Imagens Daniel Kfouri Halak
