I’m Lost in Paris

Revista B | Arquivo – por Heloisa Righetto

Fachada de samambaias é apenas uma parte desse extraordinário projeto

Quando pensamos em uma casa localizada na capital francesa, famosa por marcos históricos e arquitetônicos como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo, provavelmente as primeiras imagens que nos veem a cabeça envolvem detalhes construtivos com referências ao Art Nouveau. Tudo bem romântico e ao mesmo tempo bucólico. Mas não nesse caso. A propriedade – que abriga um laboratório particular – tem uma fachada que é, no mínimo, inusitada. I`m Lost in Paris é o nome dado a essa casa de 130 m2, coberta por 1200 samambaias, parecendo um oásis verde em meio as construções vizinhas. A poética Paris é palco dessa misteriosa obra, que assim como todos os projetos do escritório parisiense R&Sie(n), é também surpreendente e irreverente.

Entre as folhagens, 300 “colméias” de vidro – todas sopradas artesanalmente – são a grande sacada do projeto, formando o que podemos chamar de uma criação de bactérias. Funciona assim: as plantas, que são uma espécie de capa protetora, são hidropônicas (ou seja, cultivadas sem solo, recebendo apenas uma solução nutritiva) e alimentadas por tubos que carregam água desde o teto (recolhida da chuva) através de um sistema gota a gota. As colméias contém a solução de água e rhizobia, um tipo de bactéria, que desenvolve com a luz do sol e é então “colhida” durante o verão. A rhizobia é depois adicionada em pequenas quantidades ao substrato das samambaias, dessa forma auxiliando as plantas na fixação de nitrogênio proveniente da atmosfera.

Como todas as demais particularidades, vale lembrar que, por serem produzidas uma a uma, cada peça de vidro tem sua própria identidade, um detalhe que é só dela, tornando o projeto ainda mais único.

Toda essa atividade pode parecer bastante complicada e de difícil manutenção, mas nada que passa pelas pranchetas dos arquitetos do R&Sie(n) será de fácil compreensão. François Roche, um dos responsáveis pelo projeto (juntamente com Stephanie Lavaux e Jean Navarro), gosta do resultado ambíguo de sua criação:

As pessoas não sabem se é uma coisa Darth Vader ou Yoda, algo delicado ou um tanto quanto sórdido, perigoso.

Pubicado em Novembro/Dezembro 2009
Revista B Edição 23
Texto Heloisa Righetto
Imagens Divulgação

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